quarta-feira, 16 de julho de 2008

Insônia e apartamento

Cheguei em Estocolmo na segunda-feira. Fui pro hotel Ibis, e no primeiro dia fiquei devido ao cansaço todo, dormindo no hotel até 13:30 :) Não deu para trabalhar não :)

Daí o que aconteceu foi que na noite de terça para quarta-feira, eu não consegui dormir. Fiquei acordado a noite toda, revirando pra lá e pra cá.

Na quarta trabalhei normalmente. Revi o pessoal do projeto e já participei de algumas reuniões. Também nessa quarta me mudei para um apartamento mobiliado aqui em Estocolmo. Esse apartamento ou flat fica numa região mais movimentada da cidade, e contém 76 metros quadrados, divididos entre cozinha, sala e quarto. Fica pertinho do metrô. Cerca de 150 metros da estação. E felizmente tem fogão, forno microonfas, enfim, o que é necessário para ter uma vida um pouco melhor por aqui :)

Bom, como hoje eu cheguei no apartamento e a internet não funcionou, e devido ao cansaço, eu dormi bem cedo, as 19:00. E acordei as 2:00. É até bom, porque nesse horário o céu já está bem claro. Infelizmente, o metrô só começa a funcionar as 5:00, então não dá para sair agora e ir trabalhar :)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Voltando para Estocolmo

Olá a todos... acabei de chegar em Estocolmo. Ficarei mais ou menos uns dois meses aqui. Apesar da confusão toda que relatei no trabalho, acho que chegamos num ponto razoável e agora acompanharei novamente o projeto.

Dessa vez ficarei num apartamento estilo flat, que espero seja muito bom :)
Mudarei para lá em dois dias. Por enquanto, estou novamente hospedado no hotel Ibis.

Provavelmente visitarei Vienna nesse final de semana, para rever a Gaby depois de um mês.

Enfim, chegou a segunda fase do blog :) hehehhehe

sexta-feira, 4 de julho de 2008

My name is Inga

Um dos primeiros vídeos que vi, pouco antes de ir para a Suécia :), procurando por informações sobre Estocolmo pelo YouTube:



O site da cantora: http://www.wintzell.se.org/inga/

"My name is Inga and I am from Sweden, I can fall in love with you, if you meet me on
ibiza I can show you how to party too!!"

Ingrid Betancourt

Quando eu estive em Paris, num dos lugares em que eu fui, havia um grande outdoor num ponto bem localizado numa praça, com uma grande foto de Ingrid Betancourt e um texto dizendo mais ou menos o seguinte: XYZ dias sem Ingrid Betancourt, clamando a um diálogo com as FARC.

Infelizmente não estou com a foto para postar junto com esse texto. [Gaby, me manda a foto :) ]

Para quem não sabe, a Ingrid Betancourt foi candidata a presidente da Colômbia e foi seqüestrada pelas FARC seis anos atrás, tendo sido mantida em cativeiro até esse momento. E daí várias pessoas começam a pregar a velha história do diálogo com forças terroristas para a libertação dos reféns. A velha história do diálogo que supõe que terroristas, narcotraficantes ou grupos radicais são grandes representantes das deficiências sociais e econômicas e que devem ser tratados com delicadeza e não com força bruta, com a força do Estado, com a força da Democracia.

É importantíssimo para a América Latina termos um líder como Álvaro Uribe que soube por as coisas no seu devido lugar e aplicar as leis do Estado e sua força para procurar derrotar grupos armados e terroristas que só querem desestabilizar a democracia e impor a sua vontade. Que a vitória da Colômbia, em breve, signifique para toda a região que viver nas regras da lei e da democracia são essenciais, e que não deixem líderes locais, principalmente esquerdistas, a querer acabar com o brilho de um sistema que apesar de suas deficiências, permite que todos tenham sua voz, que todos digam o que pensam e que juntos, possamos caminhar para um futuro cada vez melhor.

Roaming Internacional

Esse post é mais um desabafo.... todos sabemos que celular já não é barato, e que usá-lo no exterior através de roaming internacional torna-o ainda mais caro. Mesmo assim, resolvi levá-lo na Suécia para que ficasse mais fácil de falarem comigo usando meu número do Brasil, sem eu ter que ficar divulgando pra todo mundo meu número de telefone sueco.

Ou seja, seria um celular apenas para receber ligações no exterior, em algumas raras ocasiões. Ou seja, só para deixá-lo ligado.... para qualquer outro uso, tinha meu SkypePhone que eu adquiri em Estocolmo, que eu comentei num post bem antigo.....

Então, deixei meu celular ligado. Carregava-o direitinho, vez ou outra ele tocava, e foi bom estar comigo. O valor não foi excessivo.

Mas, quando recebi a conta da Claro, qual não foi minha surpresa ao receber um cobrança de R$ 212,00 e de R$ 641,20 referente ao uso de dados GPRS referente aos meses de junho e maio e abril. GPRS é usado para acessar a internet.

Mas antes tivesse usado.... NUNCA usei meu celular para acessar site ou qualquer outro recurso da internet no exterior. Eu desliguei qualquer acesso de sincronização de emails, e mesmo assim tive cobrado na minha conta acessos GPRS diários e praticamente periódicos, conforme um relatório que a Claro me passou.

Reclamei com a Claro, que apenas disse que recebeu as informações da operadora conforme o relatório que me passaram, e estão cobrando. Reclamei na Anatel, que me fisse que a Claro recebeu o relatório e estava me cobrando, e me mandaram entrar em contato com a Vodafone (ou Telenor) no exterior para obter o log dos acessos, já que a Anatel e a Claro não poderiam fazer nada. Falando com a Telenor, eles disseram que esses logs não são fornecidos nem mesmo para os suecos....

Ou seja: não usei, e não tenho como saber o que foi usado ou acessado.

E daí, a gente fica sem saber o que fazer nem pra onde correr... vou ainda tentar o Procon...

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Austricando muito


Pois é minha gente, estar na Europa é uma beleza, pois os países são tão próximos uns dos outros.. Ontem eu estava em Paris, e agora
Cá estou eu na Austria, com uma grande vantagem eu diria, estou como dizemos no Brasil "Di Grátis", pois é minha gente, ter uma irmã que mora na Europa é TUDO ..rss
Minha irmã mora no centro austríaco, ótimo para comer bem e ver muuuuuita gente. O melhor é que a maioria das pontos turísticos fica aos arredores da casa dela. Por exemplo, o rio Danúbio Azul, muito famoso por sinal, fica a apenas 150 metros, ótimo não é?
Estou curtindo os lugares aos poucos, degustando Viena em pequenas doses, primeiro me inteirando das histórias dos maravilhosos monumentos históricos e museus da cidade. A catedral que estão vendo ao lado, é um deles e fica a apenas 300 metros da casa da minha irmã. Como podem ver na foto, está um sol por aqui... isto é ótimo, porque dá para ver certinho o maravilhoso mosaico do telhado da catedral. Esta catedral é chamada de Stephansdom (Catedral de São Estevão) - A catedral, com seu belo telhado de azulejos vitrificados e sua torre de 107 metros de altura, é considerada a alma e um dos símbolos de Viena. Sob o altar-mor estão guardadas dezenas de urnas que preservam em álcool as vísceras de alguns dos Habsburgos. Uma das mais ricas obras guardadas sob o teto abobadado da Stephansdom é o túmulo de Frederico III. As imagens de santos que decoram as colunas também chamam a atenção dos que visitam a igreja. Ainda no subsolo da catedral estão amontoados os ossos de milhares de corpos de um antigo cemitério da igreja e de vítimas da peste negra, doença que assolou a capital austríaca no início do século 18. - A catedral, com seu belo telhado de azulejos vitrificados e sua torre de 107 metros de altura, é considerada a alma e um dos símbolos de Viena. Sob o altar-mor estão guardadas dezenas de urnas que preservam em álcool as vísceras de alguns dos Habsburgos. Uma das mais ricas obras guardadas sob o teto abobadado da Stephansdom é o túmulo de Frederico III. As imagens de santos que decoram as colunas também chamam a atenção dos que visitam a igreja. Ainda no subsolo da catedral estão amontoados os ossos de milhares de corpos de um antigo cemitério da igreja e de vítimas da peste negra, doença que assolou a capital austríaca no início do século 18.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Como foi o projeto lá?

Acho que nesse momento dá para fazer uma reflexão e falar um pouco sobre como foi o projeto lá na Suécia. Esse post vai envolver alguns termos técnicos que são inevitáveis, mas tentarei ser o mais didático possível.

Minha missão ao ir para a Suécia era me envolver com a tecnologia IMS e iniciar um projeto numa fase de prova de conceito sendo o arquiteto da solução. Era um projeto bem interessante, com o objetivo de trazer depois parte desse desenvolvimento para o Brasil logo após três meses. Ou seja, eu iria para Estocolmo, trabalharia na prova de conceito e traria parte do desenvolvimento para o Brasil, tudo isso em três meses. E depois voltaria só esporadicamente para o Brasil.

Mas, no meio do caminho tinha uma pedra....

O gerente de lá, um indiano, tinha outros planos. Haveria um evento que englobaria a alta gerência da empresa em junho. E naquele momento, em abril, ele pensou: ao invés de fazer um projeto tendo a prova de conceito, e outras fases posteriores, porque não fazer um demo dessa aplicação?

Logo, envolvido pela idéia do demo, o projeto adquiriu outros rumos. Meu papel de arquiteto foi delegado a ser um papel mais observador ao invés de ativo no projeto. Isso significa que a equipe de desenvolvimento se viu obrigada a correr atrás de um desenvolvimento que fosse cabível para o demo, sem ter uma arquitetura a seguir - afinal, os requisitos funcionais e não-funcionais não foram levantados. Eu procurei fazer o possível para manter um certo nível arquitetural mas infelizmente o coordenador obrigava a equipe de desenvolvimento a fazer entregas num ritmo que não permitia ter uma arquitetura estável além de pouco treinamento que essa mesma equipe teve para fazer o projeto.

Me vi depois ajudando a equipe de desenvolvimento que tinha erros primários no uso de tecnologias como JDBC, scriptlets, Struts, dentre outros. E pouco podia fazer, porque sempre diziam que esse ritmo seria para o demo, e que tinha que consertar tudo on-the-fly mesmo.

Resumindo:
  • nao tinha cronograma. O gerente ou o coordenador lançavam uma idéia, a equipe de desenvolvimento formada majoritariamente por indianos tentava fazer essa idéia, trabalhando nos finais de semana e a noite. E o que acontecia quando a idéia era concluída? não tinha cronograma. O gerente ou o coordenador..........................
  • não tinha metodologia. Basicamente, como não se tinha planejamento, não se seguia também nenhuma metodologia de desenvolvimento como RUP, OpenUP ou metodologias ágeis. Resultado: não tinha cronograma.....
  • não tinha um software para controle de versão. A primeira coisa que eu pedi lá foi um software como o IBM Clearcase ou o SVN. Pode parecer brincadeira mas não é, mas em dois meses de desenvolvimento, não tivemos nenhum desses softwares. A versão correta era a que estava na máquina de um dos desenvolvedores... imagina o tempo fazendo integração de código.
  • não tinha requisitos. Como falei um pouco antes, o projeto era guiado por idéias (Idea Driven)... assim, a cada dia inventavam coisas. Num dia era fazer uma aplicação para imprimir cartões com tarja magnética, no outro dia era colocar uma webcam em funcionamento... Não quiseram fazer casos de uso ou outro documento similar para elencar os requisitos, e pior: requisitos não-funcionais foram sequer tocados. Bom, se não tinha requisitos, o que acontece? Não tinha cronograma.....
  • no começo o projeto visava a demonstrar novas possibilidades de desenvolvimento usando a infraestrutura do IMS. Ao invés de usar IMS para tudo, em dado momento do projeto, optou-se por usar comunicação pela rede de computadores ao invés de IMS para fazer mais rápido uma dada idéia que queriam implementar. Em outro, uma aplicação que era acessória ao produto e não era desenvolvida com IMS, ganhou ares maiores de importância, passando a ser um foco inesperado no desenvolvimento. Ou seja, o objetivo do projeto que era mostrar possibilidades de uso na rede IMS foi apenas parcialmente cumprido, porque o próprio IMS foi preterido ao longo do desenvolvimento por outras idéias ou funcionalidades.
Foi um projeto extremamente caótico no seu desenvolvimento. A equipe de desenvolvimento trabalhava várias horas por dia, incluindo o sábado e domingo, nesse projeto. E antes era só o demo para a tal reunião dos gerentes. Mas daí algumas semanas antes começou a se ter um demo semanal da aplicação, que obrigava a equipe de desenvolvimento a ficar ainda mais aterefada em concluir o projeto. Toda semana tinha pelo menos um demo para gerentes que queriam ver isso antes da tal reunião dos gerentes.

O resultado: o projeto pode ser considerado um sucesso??? Ele foi, no sentido em que o demo foi apresentado na reunião, e os gerentes de modo geral ficaram bastante impressionados com o produto. Mas foi um fracasso no tocante ao uso de tecnologia, ao seu objetivo inicial, ao desgate da equipe e falta de metodologia, processo e ferramentas, e em termos da qualidade do código escrito - um dos piores. É algo até difícil de explicar... para todos os efeitos o projeto foi um sucesso no evento, mas o que está lá dentro é irremediavelmente ruim.

Aqui no Brasil fazemos melhor. Ir até Estocolmo para pegar um projeto assim... Já reclamei de muitos projetos no Brasil, mas quando você se depara com coisas como essas, você começa a perceber que o nível de problemas de projetos bem gerenciados e projetos mau gerenciados é diferente. E que seguir um processo é extremamente importante, mesmo para soltar um protótipo de uma idéia.

Bom, vou ficando por aqui :)

Antes que eu me esqueça: IMS significa IP Multimedia Subsystems. Trata-se de uma nova geração de redes de telecom que irá facilitar a comunicação entre equipamentos diversos (telefone, tv, computador e outros) de uma maneira mais eficaz integrado com mecanismos conhecidos da internet. A troca de mensagens é através do formato SIP, ou seja: no IMS um componente da rede envia uma mensagem SIP para outro componente da rede. Uma mensagem SIP pode ser do tipo INVITE, BYE, CANCEL, por exemplo. Se um telefone quer falar com outro, o telefone A manda uma mensagem INVITE para o telefone B com os parâmetros necessários, e assim começa a ocorrer uma troca de mensagens entre eles.